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terça-feira, 17 de maio de 2011

Ainda sobre o adeus…

Imagem retirada da Internet
É sem dúvida uma das palavras mais tristes de se pronunciar. Se há palavras que podemos, e devemos, evitar, esta pode não ser uma delas. Chega sempre uma hora em que é preciso pronunciá-la. Cedo ou tarde. Por vezes, vale mais cedo do que tarde. Também isso é triste. Não consigo achar nada de alegre em tal palavra. Apenas sei que o seu uso, por vezes, é inevitável, outras, é indispensável. Como seria muito mais fácil dizer "até logo" ou, ainda melhor, "até já", querendo dizer, "até sempre". Mas a vida nem sempre acontece como queremos. É preciso ser positivo e acreditar que há certas lições que simplesmente temos que aprender. Além disso, como já dizia Scarlett em E tudo o vento levou”, afinal, amanhã é outro dia!
NM

domingo, 23 de maio de 2010

Adeus

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tristeza

Há dias em que insistes
em fazer companhia
a quem não te quer…
Apagas sorrisos,
impiedosamente.
Humedeces olhares,
desavergonhadamente.
Às vezes apareces de repente
sem seres convidada.
Outras apareces devagar,
como quem não quer nada…
Vai-te embora!
Ninguém te quer,
todos te rejeitam.
Do menino ao velhinho.
Desaparece!
Deixa ouvir nos silêncios
o eco das palavras.
Ficam todos felizes
quando não estás!
Vai-te embora!
Porque esperas?
Ainda aí estás?
Adeus!
NM