quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mar

Oh mar salgado cheio de aromas e sensações
Só tu me podes entender na mudança das marés
Sopros, gritos, silêncios e exclamações
Vem beijar-me a pele e acariciar-me os pés.
NM

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Amor

O amor é lindo
Eu amo
Faz sofrer imenso
Eu sofro
Lágrimas que se soltam
Eu choro
Sonhos que se fantasiam
Eu sonho
Acredita-se no que se quer
Eu creio
Exacerba-se a saudade
Eu sinto
Viver para o outro
Eu quero
Grita-se a paixão
Eu escrevo.
NM

terça-feira, 22 de junho de 2010

Apelo

Voam baixinho as gaivotas
planando o rio calmo como que a beijar a água doce
a brisa suave
o sol que se põe no horizonte
fim de tarde morno
brilhante
paraíso terrestre…
Oh rio que vais dar ao mar leva o meu sonho contigo
Traz-mo nas ondas do mar quando se puder realizar…
NM

sábado, 19 de junho de 2010

Sem título II

Quis resistir ao sono e à preguiça que só uma sesta proporciona, acabei por mergulhar no deleite da escrita, nas promessas que as ilusões tão bem conseguem propiciar. Sonhos sonhados à velocidade do som, ao sabor dos encantos surreais, com a vertigem por promessa nas investidas do tempo, dando vontade própria ao querer dos sentidos. Ousadias de quem consegue superar medos, enfrentando tempestades. Qual mar revolto e zangado que só a mudança de maré acalma.
NM

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Recomeçar

Por vezes não nos reconhecemos
Naquilo que nos tornámos
Não foi o que sonhámos…
Abandonamos os nossos sonhos sem dar por isso.
A vida não pára
É preciso mudar, resgatar sonhos
Cortar o que nos faz sofrer
Voltar a sonhar
Acordados, bem acordados
Sem nos deixarmos dormir
Podemos não voltar a poder sonhar….
Os sonhos também têm prazo de validade!
NM

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Opostos

Dizem que os opostos se atraem.
Pontualmente.
Mas também se repelem.
Muito.
Sentido.
Pouco.
Tantas formas de dizer o mesmo.
Negativo. Positivo.
Nem sempre, nem nunca.
Palavras.
Silêncios.
NM

terça-feira, 15 de junho de 2010

Morre lentamente...

«Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda