sábado, 29 de maio de 2010

Credibilidade

Escrever. Procurar as palavras certas. Evitar o nunca e o sempre. Definir estados de espírito. Mover montanhas. Mudar o mundo, tarefa árdua, mas necessária. Mudar Portugal. Imprescindível. Há sinais de fogo. O que nos falta em organização sobra-nos em capacidade de improviso. Gostaria de viver num país unido, onde o poder fosse gerido com habilidade e inteligência. Onde os melhores não evitassem a politica. Não pode ser só a fé a salvar-nos. Temos que poder contar, também, com homens e mulheres de fibra, sem trejeitos ditatoriais, que entrem e saiam da política com a mesma cara, com o mesmo dinheiro no banco e de consciência tranquila. Mais, que tenham consciência! Silêncios. Gritos. Anseia-se por mudança! Respeito. Credibilidade. Sustentabilidade. Tudo coisas importantes que não se impõem. Conquistam-se.
NM

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Coisas simples

Tem dias, horas e minutos
Em que o sonho bate mais forte
As palavras ficam mais doces
O mundo parece sorrir-nos
E o cosmos parece que conspirou
Para nos reconciliar connosco próprios.
NM

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Amar

Descobrir sensações
Arrasar corações
Assimilar emoções
Aumentar pulsações
Anda
Corre
Voa
Que a vida não espera
O sonho sonha-se enquanto o coração bate
E o amanhã começa hoje.
NM

terça-feira, 25 de maio de 2010

Querer

Nem sempre se escolhe o que se quer.
Não se tem o que se merece, nem se merece o que se tem!
Preto ou branco? Um pouco dos dois… Cinzento…
Há coisas que não escolhemos, mas queremos!
NM

A Poesia

A poesia dá cor aos dias,
intensidade e luz às noites,
fé ao amanhecer,
magia ao por do sol…
Sacia sedes,
alimenta famintos,
é Norte e Sul,
Este e Oeste.
Dá sentidos,
ajuda a encontrar
sonhos e verdades…
Perpetua o efémero.
NM

domingo, 23 de maio de 2010

Desafios

Decidir,
escolher,
aceitar desafios,
enfrentar adversidades,
lidar com as rotinas,
respeitar as diferenças,
caminhar sem medos,
com coragem e convicção.
Vida estranha,
cheia de incongruências…
Há dias em que nada acontece,
esquecemo-nos de tudo,
até de sonhar…
NM

Adeus

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus."

Eugénio de Andrade