"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
Eugénio de Andrade
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
À minha menina
És tão linda e especial
A filha que sonhei ter
Amor eterno e incondicional
Alegria do meu viver.
O meu amor é tão grande
Que não me cabe no peito
Dei-te a vida e dou-te tudo
O meu abraço é imortal
Neste dia de Maio lindo
Oásis no meu quintal
Amor eterno e infindo.
Hoje é dia de alegria
Para sempre recordar
O muito que eu te amei
E que ainda vou amar!
NM
A filha que sonhei ter
Amor eterno e incondicional
Alegria do meu viver.
O meu amor é tão grande
Que não me cabe no peito
Dei-te a vida e dou-te tudo
És o meu amor-perfeito.
O meu abraço é imortal
Neste dia de Maio lindo
Oásis no meu quintal
Amor eterno e infindo.
Hoje é dia de alegria
Para sempre recordar
O muito que eu te amei
E que ainda vou amar!
NM
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Tristeza
Há dias em que insistes
em fazer companhia
a quem não te quer…
Apagas sorrisos,
impiedosamente.
Humedeces olhares,
desavergonhadamente.
Às vezes apareces de repente
sem seres convidada.
Outras apareces devagar,
como quem não quer nada…
Vai-te embora!
Ninguém te quer,
todos te rejeitam.
Do menino ao velhinho.
Desaparece!
Deixa ouvir nos silêncios
o eco das palavras.
Ficam todos felizes
quando não estás!
Vai-te embora!
Porque esperas?
Ainda aí estás?
Adeus!
NM
em fazer companhia
a quem não te quer…
Apagas sorrisos,
impiedosamente.
Humedeces olhares,
desavergonhadamente.
Às vezes apareces de repente
sem seres convidada.
Outras apareces devagar,
como quem não quer nada…
Vai-te embora!
Ninguém te quer,
todos te rejeitam.
Do menino ao velhinho.
Desaparece!
Deixa ouvir nos silêncios
o eco das palavras.
Ficam todos felizes
quando não estás!
Vai-te embora!
Porque esperas?
Ainda aí estás?
Adeus!
NM
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Depois de tanto tempo...
Depois de tanto tempo
Ainda se enfrenta o desgosto
Do dia-a-dia vivido
Do perverso a ser medido
Do querer sem ter pedido…
E perdido. E vencido.
Depois de todo este tempo
Ainda se sente a mágoa
Das conversas silenciadas
Das palavras suspensas.
Sempre que um sonho acaba
Há dias que parecem noites
E praias que parecem desertos.
Mas há também amanhãs
Promessas de dias melhores
E outros sonhos por cumprir.
Por vezes a vida acontece
Quando menos se espera.
NM
Ainda se enfrenta o desgosto
Do dia-a-dia vivido
Do perverso a ser medido
Do querer sem ter pedido…
E perdido. E vencido.
Depois de todo este tempo
Ainda se sente a mágoa
Das conversas silenciadas
Das palavras suspensas.
Sempre que um sonho acaba
Há dias que parecem noites
E praias que parecem desertos.
Mas há também amanhãs
Promessas de dias melhores
E outros sonhos por cumprir.
Por vezes a vida acontece
Quando menos se espera.
NM
terça-feira, 18 de maio de 2010
Se
Ah! Se tudo fosse diferente
O olhar não espelhasse a alma
O amor nos fizesse felizes
Os amigos não nos decepcionassem
Os alienados não nos chateassem
Os colegas nos compreendessem!
Ah como seria bom!
Mas hoje não acredito.
Hoje o meu sorriso é triste.
Escolho a solidão.
Amanhã é outro dia.
NM
O olhar não espelhasse a alma
O amor nos fizesse felizes
Os amigos não nos decepcionassem
Os alienados não nos chateassem
Os colegas nos compreendessem!
Ah como seria bom!
Mas hoje não acredito.
Hoje o meu sorriso é triste.
Escolho a solidão.
Amanhã é outro dia.
NM
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