terça-feira, 22 de junho de 2010

Apelo

Voam baixinho as gaivotas
planando o rio calmo como que a beijar a água doce
a brisa suave
o sol que se põe no horizonte
fim de tarde morno
brilhante
paraíso terrestre…
Oh rio que vais dar ao mar leva o meu sonho contigo
Traz-mo nas ondas do mar quando se puder realizar…
NM

sábado, 19 de junho de 2010

Sem título II

Quis resistir ao sono e à preguiça que só uma sesta proporciona, acabei por mergulhar no deleite da escrita, nas promessas que as ilusões tão bem conseguem propiciar. Sonhos sonhados à velocidade do som, ao sabor dos encantos surreais, com a vertigem por promessa nas investidas do tempo, dando vontade própria ao querer dos sentidos. Ousadias de quem consegue superar medos, enfrentando tempestades. Qual mar revolto e zangado que só a mudança de maré acalma.
NM

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Recomeçar

Por vezes não nos reconhecemos
Naquilo que nos tornámos
Não foi o que sonhámos…
Abandonamos os nossos sonhos sem dar por isso.
A vida não pára
É preciso mudar, resgatar sonhos
Cortar o que nos faz sofrer
Voltar a sonhar
Acordados, bem acordados
Sem nos deixarmos dormir
Podemos não voltar a poder sonhar….
Os sonhos também têm prazo de validade!
NM

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Opostos

Dizem que os opostos se atraem.
Pontualmente.
Mas também se repelem.
Muito.
Sentido.
Pouco.
Tantas formas de dizer o mesmo.
Negativo. Positivo.
Nem sempre, nem nunca.
Palavras.
Silêncios.
NM

terça-feira, 15 de junho de 2010

Morre lentamente...

«Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Água do rio que passas...

Tarde encantada
O olhar fixo no rio
Pensando em outras
Igualmente perfeitas…
Sonhos que vão,
Outro há-de vir…
Sonhos lindos levados pelo vento
Que não voltam mais
Tal como estas águas que correm
E que não voltarão aqui a passar…
Outras águas passarão
É preciso renovar
Ter coragem e aceitar mudar
Aquilo que já mudou…
Que não pode mais ficar
Porque já não é o que era…
Água do rio que passas
Foste a minha inspiração
Terás sempre um lugar especial
Neste meu sensível coração.
NM

domingo, 13 de junho de 2010

Rio Mondego

Neste rio me perco
Para me voltar a encontrar
Nesse mar de ondas salgadas
Na violência e acalmia
das marés
altas e baixas
entre gritos e silêncios
doces e salgados
assim sou eu
como tu, em ti
para além de mim
entre nós e a eternidade…
NM