quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Im(perfeições)

Deveríamos sempre proteger o que consideramos especial. Por todas as razões, e mais algumas. Por ser importante para nós, por ser singular, porque nos dá brilho à vida, porque nos faz felizes (mesmo que nem sempre), enfim, porque faz de nós pessoas melhores e únicas. Mas, porque somos seres imperfeitos, esta lógica cai e levanta-se…Temos dias de tudo e de nada, e de qualquer coisa, também.
NM

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ferro

Do castanho dos olhos ao sorriso pérfido
Eis a personificação grotesca do que ninguém sonha
Molde de vaidades camufladas aos outros atribuídas,
Apontando falhas onde outros honradez distinguem…

NM

Ser e parecer

Quase nada é o que parece!
Muita coisa que é,
por vezes,
não parece.
Outras, só parecem,
sem ser…
Gosto do que parece e é,
mas, há aquilo que
nem sempre parecendo,
por vezes é!
NM

domingo, 10 de outubro de 2010

Domingo

Hoje acordei
Com o silêncio na boca
O sentimento nas mãos
Pressentimento no coração
Saudade no olhar
Dor na alma
Picadas nos joelhos
Formigueiro nos pés
Qual estátua
Fiquei imóvel
Inquieta
Prurido nas mãos
Aliados?
As palavras.
Permanentemente.
NM

Metáfora

Quando tu me amavas
O céu ficava mais azul
A noite mais estrelada
O sol mais brilhante
A chuva! Qual vale de lágrimas em página poética
O vento soprava beijos apaixonados
O teu olhar parecia tocar a minha alma
No mais profundo do meu ser
Mas isso era…
Quando eu te amava.
NM

Temperos ou temperamentos?

Desde tenra idade que nos ensinam que o azeite e o vinagre não se misturam. Há pessoas teimosas que passam a vida a tentar provar o contrário. Buscam o tal terceiro elemento que interaja tanto com um, como com o outro. Na procura da combinação perfeita para obter um tempero ideal, que à partida não existe, há muitos que se vão conformando com temperos mais azedos ou mais enjoativos… E depois há os outros. Os que jamais baixam os braços. Para tudo é preciso ter convicções fortes. Sempre.
NM

sábado, 9 de outubro de 2010

Amadurecer

Há pessoas que nos fazem sofrer de tal forma que somos forçados a terminar com o sofrimento porque nos cansamos de perdoar sempre a mesma pessoa ou porque não suportamos mais a dor e a infelicidade que nos causavam. Ficamos desolados mas seguimos em frente porque a situação ficou insustentável. Ficamos vazios, magoados, mas é preciso ir embora de suas vidas como única forma de salvação. São por vezes pessoas de tal forma de mal com a vida que não conseguindo elas cativar ninguém porque são intrinsecamente más, desinteressantes, não obstante se acharem o máximo, têm o desplante e a falta de carácter suficiente para se gabarem do que não fizeram afirmando que são elas que não querem “enlaces”…Falta de verdade, de cavalheirismo e até de educação… Depois chega aquele dia em que reencontramos essa pessoa, e pensamos como foi possível ela ter sido tão importante nas nossas vidas. Questionamo-nos sobre o que vimos nela para sofrermos tanto, porque passámos horas a fio perguntando-nos onde tínhamos errado. É então que a indiferença se começa a instalar, a revolta a passar e a normalidade a estabelecer-se. À medida que amadurecemos começamos a constatar que certas pessoas só terão nas nossas vidas o espaço que lhes quisermos dar. A tempestade começa a dar lugar à serenidade. Em boa hora.
NM